CHEQUE ESPECIAL

O capitão não terá cheque em branco, menos ainda cheque especial.  Seu governo terá obrigatoriamente que reduzir a dívida pública a níveis administráveis. Hoje em 77% do PIB caminha em rota de colisão titânica para 100%. Inflação, juros, emprego e renda dependem exclusivamente da excelência do novo projeto do governo. A democracia venceu mais uma vez. Cabe aos derrotados respeitar os que venceram legitimamente, independente do seu amor por eles. Os donos de partidos contrários já se alvoroçam para dizer que serão oposição. Mostram novamente não terem apreendido nada com as eleições de 2018. Que seus partidos não têm mais voz uníssona e que não exercem poder sobre o som inteligente que vem dos eleitores. Pego carona nesta posição de hoje do Merval:
Ele interpretou o sentimento antipetista, mas não deve se enganar: muitos dos eleitores que o escolheram não são dele. A vitória expressiva de Jair Bolsonaro indica que as idas e vindas das pesquisas eleitorais captaram a repulsa a seu discurso exaltado a manifestantes na Av. Paulista no domingo passado, mas não o recuo do presidente eleito, que chegou a perder votos na reta final devido a seu extremismo, mas os recuperou em boa medida ao se mostrar sensível à reação da opinião pública. Foi uma vitória expressiva, mas não a ponto de dar um cheque em branco ao presidente eleito. Lula teve mais votos que Bolsonaro em 2006 — e conquistou os dois mandatos com vantagem sobre o adversário superior a 20 milhões de votos. Considerando-se dono do país, inventou Dilma Rousseff e um esquema político ilegal para perpetuar seu grupo no poder. O resultado é que falou mais alto, ao final, o sentimento antipetista que tomou conta da população depois que o saldo dos 13 anos de governos do Partido dos Trabalhadores foi uma recessão brutal e o aparelhamento dos órgãos públicos para imposição ideológica de suas verdades, a corrupção para financiar a permanência no poder realimentara ganância de seus principais líderes. Coube a Bolsonaro interpretar esse sentimento latente na sociedade brasileira, mas ele não deve se enganar: muitos dos eleitores que o escolheram não são dele, e estarão a partir de hoje em “apoio crítico”, como virou moda dizer, ou mesmo na oposição. O fato é que a retórica radicalizada de Bolsonaro não corresponde ao desejo da maioria, e o novo presidente terá que ter sensibilidade para se enquadrar dentro do que a maioria do país quer, um governo reformista que, a partir da recuperação da economia, saiba unir os brasileiros sob uma orientação que pode ser conservadora nos costumes, mas nunca repressora ou autoritária. Muito da derrocada do PT se deve à corrupção disseminada, aos hábitos e costumes políticos que foram exacerbados pelos governos petistas como fórmula para a cooptação do apoio político, mas também pelo teor autoritário de muitas de suas iniciativas, que continuam em seu programa de governo.
( Merval Pereira ) Jornal O globo de 29 de outubro.

JOÃO TEIXEIRA DE AZEVEDO NETO
























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