GOL CONTRA



( a arte de negociar) 


A história mostra que pela diplomacia deve-se negociar para buscar os objetivos  pretendidos por uma nação. Por isto pisa-se em ovos sobre assuntos de extrema complexidade.  Mais do que ferir os outros é fundamental pensar no que (com efeito bumerangue) nossas atitudes podem nos trazer. Em pouco mais de uma semana o capitão e sua galera andou disparando misseis "exocet" em todas as direções.  Já atingiu a à China e a Argentina ( nossos maiores parceiros comerciais) a União europeia e os países árabes e mulçumanos.  Ontem uma delegação de exportadores de carne  brasileira voltou para o Brasil em vista do cancelamento da reunião no Egito. A China já mandou recado dizendo que uma ruptura vai custar caro para o Brasil. E vai mesmo, metade das nossas exportações no ano passado foram para a China, algo em torno de 32 bilhões de dólares. Em suma não adiantar fazer  belos gols, como inserir Moro na turma, brigar por acelerar a reforma da previdência e dizer de cara que acha necessária a redução do numero de deputados na Câmara, se tomar outros quatro gols contra em sua defesa. Acabou a campanha eleitoral. É hora de sair do discurso e ir para a prática.  Torcemos pelo sucesso do capitão e da sua tropa. Mas "vai devagar que o santo é de barro". 

JOÃO TEIXEIRA DE AZEVEDO NETO

Aconteceu numa segunda-feira de 55 anos atrás, na Manhattan de um mundo em Guerra Fria, quando Jair Bolsonaro era apenas um garoto nas ruas descalças de Ribeira (SP), a oito mil quilômetros de distância.

Cinco homens e uma mulher entraram no 112-Oeste da Rua 48, Nova York. Há meses Astrud Gilberto (voz), Antonio Carlos Jobim (piano), Tião Neto (baixo), Milton Banana (bateria), João Gilberto (violão) e Stan Getz (sax) lutavam para apresentar a bossa nova ao público.

Nos ensaios faltou sintonia entre Getz e João, relata Ruy Castro em “Chega de saudade”. O baiano explodiu: “Tom, diga a esse gringo que ele é burro.” O carioca Jobim virou-se para o americano e traduziu: “Stan, o João está dizendo que o sonho dele sempre foi gravar com você.”

Foi um dos grandes momentos da diplomacia brasileira: o disco “Getz/Gilberto” abriu o mercado dos EUA e da Europa para a bossa nova.

Bolsonaro não possui átomo da genialidade diplomática de Jobim, mas seria um poeta se falasse menos sobre política externa no seu mandato.

Em uma semana (lapso de tempo em que os seis de Nova York lapidaram um revolucionário Made in Brazil), Bolsonaro e equipe conseguiram semear tensões e incertezas sobre o futuro do Brasil com Argentina, Paraguai e Uruguai (sócios no Mercosul), China, Cuba, União Europeia, países árabes e muçulmanos.

Presidente eleito de um país desesperado para ampliar exportações e receber investimentos estrangeiros, Bolsonaro resolveu desprezar um quarto do mercado global, com três bilhões de consumidores. Semana passada a China advertiu, publicamente, que uma ruptura vai “custar caro” ao Brasil. Ontem, o Egito recusou-se a receber o chanceler brasileiro, em reação ao alinhamento do Brasil ao governo Trump na mudança da embaixada para Jerusalém.

Bolsonaro pode não gostar da melodia de Tom e preferir o punk-brega de Trump, mas deveria ouvir o conselho grátis do bilionário Warren Buffet, um conservador: “Se você está num buraco, a coisa mais importante a fazer é parar de cavar.” 
(Jose casado , jornal o Globo, 6 de novembro de 2018)

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