NA BERLINDA


( a estabilidade pública )
A EBC (empresa brasileira de comunicação) tem cerca de dois mil funcionários e cerca de 150 cargos comissionados.  Certamente que não resiste a uma análise séria de produtividade e de missão. Pela primeira vez depois de muitos anos os servidores públicos passaram a sentir os mesmos medos e receios dos empregados da iniciativa privada.  Bateram de frente com a realidade de perder seu emprego e ter que iniciar uma nova caminhada. Foi o que aconteceu com 13 milhões de brasileiros que entraram na estatística do IBGE como desempregados. Certamente que não torcemos para que um cidadão perca o seu emprego, seja ele público ou privado. Mas também não é correto achar que apenas a área privada deva pagar a conta do desajuste entre o quadro necessário e o empregado. Também pela primeira vez fala-se sobre o término da estabilidade no emprego no setor público para equilibrar o quadro real ao verdadeiramente necessário e também de aplicação da “meritocracia”, ou seja, só fica no emprego público quem entregar resultado. Cada um deve fazer a sua reflexão a respeito. Utopicamente gostaríamos que todos tivessem e não perdessem os seus empregos. Mas como utopia, precisamos de tratamento igual para todos, sem estabilidade de emprego paga pelo privado (que não tem essa proteção) bancar o emprego público. Quem paga essa conta é toda a sociedade, certamente grande parte dos mais pobres, que não foi convocada para se manifestar a respeito. 
JOÃO TEIXEIRA DE AZEVEDO NETO

Funcionários de ministérios e empresas estatais deletam críticas a Bolsonaro e temem fusões de pastas e privatizações ((Jornal O Globo, 19 de novembro de 2018) 
Nos ministérios e órgãos federais, a possibilidade de serem aproveitados pelo futuro governo já tem repercutido entre os servidores que desejam manter seus cargos. Há relatos de funcionários que passaram a apagar comentários contrários a Jair Bolsonaro nas redes sociais, para evitar que as críticas possam prejudicá-los na disputa por cargos de coordenação na futura gestão. 
Braço-direito. O general Heleno foi procurado por funcionário da EBC 
Os anúncios feitos pelo presidente eleito de extinções e fusões de ministérios, além de privatizações de empresas públicas, causam apreensão entre funcionários desses órgãos. Em entrevista após ser eleito, Bolsonaro disse que quer extinguir a TV Brasil, um dos principais veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O anúncio, assistido por funcionários durante o expediente, provocou choro na redação, conta uma servidora que pede anonimato. Enquanto associações e sindicatos de servidores tentam contato com interlocutores da gestão Bolsonaro, funcionários vivem em compasso de espera. 
Três dias depois da eleição, Edvaldo Cuaio, representante dos empregados no Conselho de Administração da EBC, conseguiu um encontro com o general Augusto Heleno, braço-direito de Bolsonaro e futuro ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), em um café em Brasília. Ele contou ter repassado dados sobre a empresa pública e deixado uma pasta com o general, que se mostrou cortês e atencioso. —É preciso derrubar mitos de que a EBC é uma empresa petista, que dá prejuízo. Já houve, sim, muitos indicados na época do PT. Hoje, somos pouco mais de dois mil empregados com cerca de 150 cargos ocupados por comissionados —diz o funcionário. 
Cuaio também tentou aproximação com Sergio Moro, futuro ministro da Justiça, que almoçava no local, mas não conseguiu. Acabou deixando uma papelada com um agente da Polícia Federal, que acompanhava o juiz. Até o cantor e compositor Lobão, apoiador de Bolsonaro, que esteve na última semana em Brasília para lançar um livro e CD, virou alvo dos servidores da EBC. Um grupo cogitou aproveitar a presença do artista em uma rádio do grupo, na qual ele dava uma entrevista, para gravar um vídeo informal de apoio à continuidade da empresa pública. Debateram tanto os prós e contras da ideia que, quando decidiram pedir a declaração, Lobão já tinha ido embora. Nos órgãos ligados à proteção ambiental, a preocupação é com as idas e vindas de Bolsonaro a respeito da fusão do Ministério do Meio Ambiente com a pasta da Agricultura, e com a falta de um representante do futuro governo à frente da temática ambiental. —Sem uma agenda mínima colocada pelo novo governo, não sabemos nem a quem procurar —afirma Henrique Silva, presidente da Associação Nacional dos Servidores Ambientais. Na Fundação Nacional do Índio (Funai), os servidores decidiram articular apoio, em um primeiro momento, no Congresso Nacional, com os parlamentares reeleitos e outros que chegarão. Eles aprovaram, em assembleia recente, uma frente de trabalho com outras carreiras, principalmente nas áreas de ensino e pesquisa. —Consideramos que será um governo muito do Congresso, não propriamente do Executivo —diz Gustavo Cruz, integrante do Conselho Fiscal da entidade Indigenistas Associados, formada por servidores da Funai. Nos corredores do órgão indigenista, a sensação é de que o governo Bolsonaro pode suspender de vez trabalhos já esvaziados pelo governo nos últimos anos, uma vez que o presidente eleito já disse ser contrário a novas demarcações. Determinados setores, como a Coordenação Geral de Identificação e Demarcação, são encarados como os mais ameaçados no futuro governo. 



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