OS DINOSSAUROS


O BRASIL E O WHAT’S APP


 A tecnologia modifica o mundo em todas as áreas e não poderia ser diferente com a política, que prefiro chamar de Gestão Pública. Assim como no mundo dos negócios não podemos caminhar sem uma boa gestão no mundo público.  Estou gostando muito do que estou vendo após as eleições. Todos de alguma forma ligados aos novos acontecimentos e principalmente curiosos e ansiosos com o futuro que nos aguarda.  A maioria aprendeu a lidar e a usar o What’s app. No “Twitter” podemos inclusive mandar “tuites” para os nossos representantes, de vereador ao presidente da república. Não por acaso João Amoedo, um ilustre desconhecido do NOVO, sem dinheiro público do fundo partidário, mas altamente conectado com as mídias sociais, teve 2.6 milhões de votos no Brasil com 2.5% dos votos válidos.  De quebra elegeu 8 deputados federais, 11 estaduais e um distrital. Somados aos 4 vereadores atuais monta uma frente de 24 parlamentares. 
Muitos podem não gostar da era digital em que o mundo entrou, mas a rota de colisão com o analógico é muito forte.  O poder executivo em todo mundo passou a ser “brother” das mídias sociais.  Trump é um dos timoneiros e Bolsonaro segue o mesmo caminho. Todo tem o direito de não fazer parte do mundo digital, mas tem um preço a pagar. Por exemplo, quando o poder executivo é digital e judiciário é muitíssimo analógico, como no caso brasileiro. Os juízes do STF são prolixos e ignoram muitas vezes a voz popular conectada pelas mídias. Vão ter que em algum momento mudar o perfil se quiserem participar do mundo digital e abandonar o mundo dos dinossauros voando como morcegos.
Fonte: Jornal o Globo 2 de novembro(Por Pedro Dória)
Jair Bolsonaro se elegeu presidente usando o WhatsApp e, ao que tudo indica, governará usando WhatsApp e outras redes. É o método Donald Trump de governo. Nos EUA, Trump tem, cativos, algo entre 15% e 20% do eleitorado. Estes representam um percentual muito relevante dos eleitores do Partido Republicano. A cada vez que Trump lança um tema ou bate em alguém via Twitter, seus eleitores reagem em massa, e deputados e senadores republicanos se sentem imediatamente pressionados. Nunca um populista teve uma ferramenta assim nas mãos, que lhe permite provocar a massa de forma tão imediata, conseguindo em troca uma reação instantânea. 
Esta é uma das armadilhas que o digital prega na democracia. Quando as regras do sistema democrático atual foram imaginadas, ainda no século XVIII, uma ideia dessas não estava no cardápio. Mas o resultado é que o chefe do Executivo, quando capaz demover massas, tem um poder único de pressão sobre o Legislativo. É uma forma de, preservando todas as regras democráticas, driblar a democracia. A independência entre os poderes se vê fragilizada. 
Esta eleição de 2018 é disruptiva em muitos sentidos. Ouvia expressão, tão usada no Vale do Silício, do cientista político Sergio Abranches em conversa na semana passada. Quando a plicada à indústria, disrupção é o processo pelo qual uma inovação vira o modelo de negócios de cabeça para baixo, tinge de vermelho as planilhas, provoca demissões em massa e, no fim, reinventa por completo a maneira como a coisa era feita.
A eleição que alçou Bolsonaro ao poder não é disruptiva apenas porque mudou a maneira de eleger um político, tornando o horário eleitoral inútil, e o tamanho do partido idem. Ela é disruptiva por ser o primeiro sinal claro de que a população brasileira está sentindo na pele os efeitos da transformação digital da vida. 
O desemprego que já vivemos, aqui no Brasil, não é apenas fruto da inépcia econômica do governo Dilma Rousseff, ou da incapacidade de Michel Temer reequilibrar o jogo. Também vem do fato de que o digital automatiza, facilita, gera concorrência onde não havia e, noutros tantos setores, simplesmente exige menos mão de obra. Da relação entre táxis e Ubers à crise pela qual nós, jornalistas, passamos, a mudança de base tecnológica vai alternando o jeito que as coisas funcionavam há décadas. 
Também está relacionado ao avanço tecnológico o rombo previdenciário que o Brasil e tantos outros países enfrentam. A população aumenta porque vivemos mais, e vivemos mais porque a medicina dá saltos a cada ano. Mas o resultado é também que o Estado perde a capacidade de proteger como já pôde um dia. É um processo com múltiplos resultados. Um é o congelamento de Parlamentos que não conseguem tomar a medida impopular, porém necessária, de alterar as regras pelas quais pagamos aposentadorias e pensões. Outra é que, sem a teia de proteção, a cultura da sociedade se adapta. “Já faz parte desta transformação”, diz Sérgio, “este rumo da sociedade global a um novo tipo de individualismo. O indivíduo se vê por conta própria, porque o Estado não protege mais.”
De certa forma, Bolsonaro foi um candidato contraditório. Afinal, seu discurso foi simultaneamente liberal e antiliberal. É um autoritário que promete força no comando do Estado. Nada menos liberal. Assim como promete desburocratização, facilidades para empreendedores, um Estado mais enxuto e abertura para o comércio exterior. Nada mais liberal. 
Contraditório, porém a cara deste tempo. Para uma população perdida, realmente desorientada perante as mudanças do mundo, nada como um candidato que representa o pai rigoroso que porá tudo em ordem. Tudo enquanto fala a língua do momento, em favor do empreendedorismo e via WhatsApp. 


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